quarta-feira, 15 de abril de 2009

nem género nem número

O que se sofre não pode ser pesado como um quilo de batatas, não há quem sofra mais ou menos. Não digo que homens ou mulheres sofrem mais uns que outros, digo apenas que sofrer por amor é comum, e se o amor for verdadeiro, um rompimento causa dor de ambos os lados.

Nesta sociedade de bem parecer e de padrões pré estabelecidos, estamos mais habituados a ver o sofrimento feminino, porque despoleta menos preconceitos. Enquanto o homem sofre para dentro, escondido, talvez até com vergonha própria de aceitar esse sentimento!

Sofri e sofro, quando penso, vejo, ouço, cheiro ou toco naquela que foi a mais que tudo. Chorei! Berrei! Pensei as piores coisas. Imaginei os melhores finais para a história que até ali parecia um conto de fadas. Tudo reprimido, sempre com um sorriso de fachada, uma simpatia artificial quando cá dentro o negrume me invadia...

Quantas noites passei em branco contando lágrimas a cair na almofada, quantas voltas dei na cama à procura de calor humano, quantas mensagens ficaram escritas na pasta de rascunhos do telemóvel sem serem enviadas, quantos quilómetros de auto-estrada fiz sem destino... não interessam números, o sofrimento foi só um!

Quase tens razão quando dizes que o tempo cura tudo, e digo "quase" porque ninguém adivinha quanto tempo demora o tempo para tudo curar. Acho mesmo que fica sempre alguma coisa num cantinho do coração, cantinho que não faz falta num novo amor que inevitavelmente surge, porque fomos feitos para amar.

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